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ABNT NBR 9077:2025: o que mudou nas saídas de emergência e por que isso importa

Escadaria moderna com indicação de rota de evacuação

Em julho de 2025 foi publicada uma nova edição da ABNT NBR 9077 – Projeto de saídas de emergência. A revisão cancela e substitui a edição de 2001 e representa uma mudança significativa na forma de analisar e dimensionar as condições de abandono seguro das edificações.

Mais do que atualizar dimensões ou terminologias, a NBR 9077:2025 introduz uma abordagem mais abrangente: passam a ter maior peso as características dos ocupantes, a velocidade de desenvolvimento do incêndio, as estratégias de abandono e a interação das rotas de saída com outros sistemas de segurança contra incêndio.

Para proprietários e gestores de edificações, isso significa que a análise das saídas de emergência tende a exigir uma visão mais integrada do imóvel. Para engenheiros e arquitetos, significa também rever critérios que durante muitos anos estiveram associados à edição anterior da norma.

Da classificação da edificação ao perfil de risco de vida

Na edição de 2001, boa parte do dimensionamento das saídas de emergência partia da classificação da edificação segundo critérios como ocupação, altura, dimensões em planta e características construtivas. A partir desse enquadramento, eram definidos parâmetros como população, distâncias máximas a percorrer e tipos de saída exigidos.

A edição de 2025 mantém a importância das características da edificação, mas amplia a análise ao introduzir de forma explícita o conceito de perfil de risco de vida, que passa a considerar também as condições dos ocupantes e a velocidade de desenvolvimento do incêndio.

Esse perfil resulta da combinação de duas características importantes:

  • as condições dos ocupantes da edificação;
  • a velocidade prevista de desenvolvimento do incêndio.

A norma passa, por exemplo, a diferenciar ocupantes familiarizados ou não com a edificação, pessoas que podem estar dormindo, pessoas submetidas a cuidados médicos e pessoas em trânsito. Também classifica diferentes velocidades características de crescimento do incêndio.

Na prática, isso torna o dimensionamento mais sensível ao que realmente acontece durante uma emergência: quem precisa abandonar o edifício e em quais condições esse abandono ocorrerá.

A estratégia de abandono passa a fazer parte do projeto

Outra mudança importante é o tratamento explícito das estratégias de abandono.

A NBR 9077:2025 contempla três modalidades principais:

  • abandono simultâneo total;
  • abandono horizontal progressivo;
  • abandono faseado.

Nem toda edificação precisa, portanto, ser analisada partindo da premissa de que todos os ocupantes abandonarão simultaneamente todos os pavimentos.

Em determinadas situações, a estratégia pode prever deslocamentos para áreas protegidas, abandono por etapas ou movimentação progressiva entre setores.

Essa abordagem aproxima o projeto das saídas de emergência da operação efetiva da edificação.

Rotas de fuga passam a exigir uma análise mais integrada

A nova norma reorganiza também os critérios para as rotas horizontais de saída.

O dimensionamento considera simultaneamente aspectos como:

  • população;
  • quantidade mínima de rotas independentes;
  • posicionamento das alternativas de saída;
  • distância máxima a percorrer;
  • largura disponível;
  • perfil de risco de vida;
  • sistemas complementares de proteção contra incêndio.

A quantidade mínima de rotas, por exemplo, passa a ser relacionada diretamente à população atendida. Para determinados ambientes, setores ou pavimentos, o número mínimo aumenta progressivamente conforme cresce a quantidade de ocupantes.

Isso reforça uma ideia importante: não basta verificar apenas se existe uma saída. É necessário avaliar como as diferentes alternativas permanecem utilizáveis durante uma emergência.

As distâncias máximas deixaram de ser apenas um número de tabela

A distância que uma pessoa deve percorrer até atingir uma saída continua sendo um dos elementos centrais do projeto.

A NBR 9077:2025 estabelece distâncias de referência relacionadas ao perfil de risco, mas também introduz critérios para considerar determinadas medidas adicionais de proteção.

Sistemas de detecção e alarme, controle de fumaça e determinadas características das rotas podem influenciar o cálculo permitido, dentro das condições estabelecidas pela própria norma.

A consequência prática é relevante: a análise deixa de ser uma simples comparação entre uma distância medida e um limite único.

Passa a existir uma relação mais clara entre geometria da rota, risco existente e sistemas de segurança instalados.

Larguras das saídas também passam a refletir o perfil de risco

Na edição de 2001, o dimensionamento utilizava unidades de passagem relacionadas à população e ao tipo de componente da saída.

A edição 2025 reorganiza esse cálculo e estabelece valores de largura por pessoa, vinculados aos diferentes perfis de risco.

Existem critérios próprios para rotas horizontais e para saídas verticais, além das larguras mínimas decorrentes de normas de acessibilidade e de requisitos específicos de determinadas ocupações.

Portanto, projetos baseados simplesmente nos parâmetros tradicionalmente utilizados durante a vigência da edição anterior precisam ser reavaliados antes de se assumir que permanecem compatíveis com a nova norma.

Escadas e rampas ganharam uma nova lógica de enquadramento

As rotas verticais continuam sendo elementos fundamentais da saída de emergência.

A NBR 9077:2025 organiza os tipos de escadas e rampas em função das condições de proteção e estabelece sua aplicação considerando, entre outros fatores, perfil de risco dos ocupantes e altura da edificação.

Entre as soluções previstas estão:

  • escadas abertas;
  • escadas protegidas;
  • escadas à prova de fumaça;
  • soluções pressurizadas;
  • escadas externas, nas condições admitidas pela norma.

Isso significa que a escolha da escada deixa ainda mais evidente sua relação com o risco da edificação e não apenas com uma classificação geométrica.

Segurança de abandono não termina no projeto físico

Talvez uma das mudanças conceituais mais interessantes esteja no Anexo A, dedicado ao sistema de abandono.

A norma passa a tratar de aspectos como:

  • responsabilidades;
  • treinamento;
  • manutenção das condições de abandono;
  • procedimentos;
  • registros;
  • controle documental.

Isso reforça um ponto frequentemente negligenciado: uma rota de fuga tecnicamente bem projetada só permanece segura se estiver livre, operacional e corretamente gerenciada ao longo da utilização da edificação.

Portas bloqueadas, corredores ocupados, equipamentos sem manutenção ou ocupações diferentes daquelas consideradas no projeto podem comprometer um sistema originalmente adequado.

E as edificações existentes?

A publicação de uma nova norma não significa, isoladamente, que toda edificação existente deva ser imediatamente reconstruída conforme todos os critérios destinados a projetos novos.

A própria NBR 9077:2025 estabelece seu escopo para projeto e dimensionamento e deixa claro que requisitos regulamentares aplicáveis continuam dependendo das autoridades competentes e da legislação pertinente.

Em uma edificação existente, portanto, é necessário analisar conjuntamente:

  • finalidade da intervenção;
  • legislação municipal aplicável;
  • exigências do Corpo de Bombeiros;
  • condições existentes;
  • processo de licenciamento ou regularização;
  • demais normas técnicas relacionadas.

É justamente nesse contexto que uma avaliação técnica prévia, integrada aos serviços de licenciamento, segurança de uso e regularização de edificações, evita soluções inadequadas ou intervenções desnecessárias.

O que muda para proprietários e gestores

Para quem administra ou pretende regularizar uma edificação, a principal consequência da nova NBR 9077 não é decorar novos valores de tabelas.

É compreender que a análise das saídas de emergência ficou mais integrada ao risco efetivo da ocupação.

Em uma reforma, mudança de uso, regularização ou processo de licenciamento, pode ser necessário reavaliar aspectos como:

  • população considerada;
  • percursos de fuga;
  • quantidade e independência das saídas;
  • largura de corredores e portas;
  • escadas;
  • áreas de refúgio;
  • sistemas de detecção, alarme e controle de fumaça;
  • procedimentos de abandono.

O impacto real depende das características de cada edificação.

Uma revisão que exige análise técnica, não apenas conferência de medidas

A ABNT NBR 9077:2025 representa uma evolução importante na abordagem das saídas de emergência.

A segurança deixa de ser analisada apenas como uma sequência de dimensões mínimas e passa a considerar de forma mais estruturada ocupantes, risco, desenvolvimento do incêndio, estratégias de abandono e sistemas complementares de proteção.

Para projetos novos, reformas ou processos de regularização, a correta aplicação da norma exige compatibilização com as demais normas técnicas e com os requisitos legais e regulamentares pertinentes.

A Sanches & Lucchesi Assessoria e Consultoria Técnica atua em Engenharia Legal aplicada a imóveis e edificações, incluindo segurança de uso, regularização, licenciamento e análise técnica, considerando as características e exigências aplicáveis a cada situação.

Referências técnicas

  • ABNT NBR 9077:2001 – Saídas de emergência em edifícios.
  • ABNT NBR 9077:2025 – Projeto de saídas de emergência.

A edição de 2025 efetivamente cancela e substitui a anterior e contém a revisão técnica que fundamenta este artigo.